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sexta-feira, 4 de novembro de 2011


Para a escola aproveitar o acesso do aluno à tecnologia

Pesquisadores educacionais dão dicas sobre tecnologias da informação e comunicação

Segundo a pesquisa “Interação com as Tecnologias de Informação e Comunicação na Comunidade Escolar”, realizada entre maio e julho de 2010 pela parceria entre o Instituto Oi Futuro e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro – estudo feito com 32 mil pessoas, englobando diretores, professores e alunos da rede pública da capital fluminense –, 80% dos entrevistados acreditam no potencial das tecnologias da informação e comunicação (as TICs) para melhorar o processo de aprendizagem. Do total de pesquisados, 70% acreditam que o uso desses recursos em sala de aula aumenta o interesse do aluno e 65% avaliam que essas tecnologias mudarão o papel do professor frente aos estudantes. Com mudanças tão rápidas, como a escola e os docentes podem usar esse contexto a favor da educação?
Para o cientista sênior do Instituto de Estudos para Perspectiva Tecnológica (IPTS) da União Europeia, o professor Yves Punie, o uso das TICs no ensino tem se confundido com o mero uso do computador e seus derivados. Na União Europeia, segundo o pesquisador, 38% das pessoas usam a internet para treinamentos e aprendizagem e quase todos os professores concordam que o computador é importante para as instituições de ensino, mas 54% dos docentes são fortemente contra o uso de celulares na aprendizagem, por exemplo. “As crianças são expostas a muitas fontes de informação, em quantidades maiores do que na escola. Muitos professores reclamam que elas não leem, mas não se perguntam quantos e-mails ou mensagens de celulares são lidos durante um dia por seus alunos”, revela.
De acordo com Punie, 90% dos docentes europeus preparam suas aulas com pesquisas na internet. Em sala de aula, no entanto, os recursos mais usados são audiovisuais, com subaproveitamento de conectividade e ferramentas mais atrativas aos alunos, citando como exemplo que apenas 17% dos professores usam jogos digitais. “O grande desafio na União Europeia hoje é desenvolver métodos para engajar todos no uso de todas as tecnologias em benefício da aprendizagem”, afirma Punie.
A ideia é o uso de todas as redes do tipo mainstream, ou seja, de uso corrente na sociedade, dentro de sala de aula e permitir que os alunos, ao terminarem suas formações, usem-nas como ferramentas de aprendizagem. “A escola não desaparece com as tecnologias da informação, é uma questão de papéis que mudaram. As instituições de ensino podem habilitar contatos entre as pessoas e a educação formal está adquirindo um perfil informal, sendo globalizada, inclusive culturalmente. Os professores devem se tornar mentores do processo de aprendizagem em vez de portadores de conhecimento”, acredita.
Novo perfil das escolas
As pesquisas do IPTS apontam que as TICs estão mudando de modo significativo o quê, como, onde e quando as pessoas aprendem. Em função do contexto social, a aprendizagem já teve como finalidade incluir culturalmente as pessoas que passavam pelo ambiente escolar, com a integração social posterior no mercado de trabalho.
“Em 2025, os empregos atuais serão obsoletos e será comum as pessoas mudarem radicalmente o perfil profissional durante a carreira. Hoje a necessidade é de engajamento na aprendizagem com a aceleração do desenvolvimento dos talentos das pessoas. Estamos numa transição para um momento de alta educação [high education], no qual a pessoa terá a necessidade de aprender durante toda a vida”, afirma o pesquisador.
Para Punie, os desafios das instituições de ensino no uso de TICs são identificar os potenciais e os tipos de tecnologias usadas, centrar o ensino individualmente no aluno e promover uma implantação holística, com alteração de formas de liderança, currículos, métodos de avaliação, práticas pedagógicas e a habilitação dos professores para uso das TICs e de meios de comunicação. “A grande dificuldade é que faltam evidências e experiências”, avalia.
Para libertar a criatividade
As tendências no uso das tecnologias da informação e comunicação nas instituições de ensino foram debatidas em maio deste ano, no Fórum Internacional de Tecnologia Educacional, em São Paulo (SP), evento paralelo à feira Interdidática. Nas conferências, o que parece ser um consenso no uso desses recursos é que se devem aproveitar todas as suas possibilidades dentro da escola para que os estudantes “aprendam a aprender” durante todas as suas vivências fora de sala de aula (lifelong learning), em todas as dimensões e espaços (lifewide learning).
Para aulas de exatas, por exemplo, a escola pode criar ambientes de aprendizagem com a tecnologia inserida no dia a dia da escola. Numa experiência apresentada pelo professor da Universidade de Stanford (EUA) Paulo Blikstein, programas gráficos são usados para demonstrar com a mesma exatidão de equações matemáticas o comportamento de gases. “É apenas um dos exemplos de como a tecnologia pode liberar a criatividade e permitir o entendimento de conceitos com recursos que já dispomos. As equações não deixam de ser importantes, mas as representações gráficas também são eficientes”, avalia o educador.
De acordo com Blikstein, o sucesso do uso das TICs está na liberdade para in-ventar com tecnologia no cotidiano escolar, numa operação cognitiva mais complexa e poderosa do que seguir ordens. “Os erros e fracassos, inclusive, devem ser transformados em algo aceito, permitido e usado como aliado no processo de aprendizagem, numa cultura do fracasso produtivo”, acredita Blikstein.
O professor sugere a montagem de laboratórios de uso irrestrito e permanente na escola. Como exemplo, ele cita o projeto Fablab@school, no qual instituições de ensino básico dos Estados Unidos contam com espaços de prototipagem rápida formado por cortador a laser de polímeros, scanner tridimensional e impressoras 3D, coordenados por professores especialmente treinados para a iniciativa. “Num laboratório de engenharia como esse os alunos aprendem física, química, matemática e ainda liberam a criatividade na ação. Não sairão da escola engenheiros, mas terão desenvolvidas as habilidades cognitivas para todas as áreas envolvidas na engenharia”, avalia.
Afiliado a uma perspectiva construtivista, Blikstein acredita que, para a montagem de espaços semelhantes em que as tecnologias são efetivamente apoio ao ensino e à aprendizagem, dois parâmetros básicos devem ser observados. “Em primeiro lugar, deve-se definir o que haverá no laboratório. Particularmente, acredito no uso de hardware e software de código aberto, que não são limitados como os produtos comerciais, não têm um custo alto o suficiente para inibir alunos e professores de usarem com medo de danificá-los e cuja manutenção pode ser feita dentro da própria comunidade que a escola atende. A tecnologia no ensino, para ser eficiente, deve ser mantida sempre em operação”, alerta.
O outro ponto, segundo Blikstein, é escolher precisamente o docente que tomará conta do laboratório. “Deve ser um professor que tenha vontade de inovar em um espaço muito diferente da sala de aula tradicional. Depois que tudo funcionar e de modo eficiente, os docentes mais tradicionais vão querer usar também o espaço, serão convencidos de sua pertinência”, acredita.
Matéria produzida pela revista Profissão Mestre. Para saber mais, acesse o site da Profissão Mestre ou siga no Twitter e Facebook.

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