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segunda-feira, 7 de novembro de 2011
ARTIGO
A INFLUÊNCIA DA ENTRADA DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO E DA REVOLUÇÃO TECNOLOGICA SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DA EDUCAÇÂO, FAMÍLIA E SOCIEDADE.
VANESSA RODRIGUES ALMEIDA DE OLIVEIRA
Mestrado em Ciências da Educação
Núcleo: Caldas Novas/GO
Turma: C- 2008
A INFLUÊNCIA DA ENTRADA DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO E DA REVOLUÇÃO TECNOLOGICA SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DA EDUCAÇÂO, FAMÍLIA E SOCIEDADE.
Artigo elaborado para o curso mestrado da U. P. E. Universidad de Los Pueblos de Europa – Instituto Saber –Nucleo:Caldas Novas, Turma C-2008 como requisito de avaliação parcial da disciplina de Educação, Família e Sociedade para a obtenção do titulo de mestre em Ciências da Educação , sob orientação da professora Msc. Luci Fumiko.
CALDAS NOVAS
2009

"É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar; é melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver...”.
Martin Luther King
RESUMO
O artigo objetiva discutir algumas das mudanças que podem ser apontadas como fatores desencadeadores de muitas transformações ocorridas na educação, família e sociedade contemporânea. Parte da analise da análise da contribuição da entrada da mulher no mercado de trabalho e das inovações tecnológicas, nas mudanças ocorridas na sociedade, na família e na educação. A entrada da mulher no mercado de trabalho e os avanços tecnológicos sem dúvida, refletiram e refletem diretamente sobre as transformações que podemos observar na família, a educação e na sociedade contemporânea. Hoje os pais passam pouco tempo com os filhos e mesmo no pequeno tempo que possuem para ficar juntos em casa preferem ficar em frente ao computador, ao interagirem entre si. A educação dos filhos, muitas vezes é relegada exclusivamente às escolas ou simplesmente deixada nas mãos de babás. Em suma, nas ultimas décadas a as famílias se tornam menores, as pessoas passaram a se relacionar virtualmente e os pais tem cada vez menos tempo para educação dos filhos e as escolas não conseguem assumir sozinhas tal responsabilidade, de forma que devemos repensar nossas valores, desenvolver nova cultura e buscar formas de adequação aos novos tempos que evitem a deterioração da educação da família e da sociedade.
Palavras Chave: Educação, Família e Sociedade.
* Graduada em Pedagogia , Pós Graduada em Formação Sócio econômica do Brasil. Professora no Colégio Municipal Santa Efigênia em Caldas Novas/GO há 09 anos
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The article aims at some of the changes that can be pointed as factors desencadeadores of a lot of transformations to discuss happened in the education, family and contemporary society. He/she leaves of the it analyzes of the analysis of the contribution of the woman's entrance in the job market and of the technological innovations, in the changes happened in the society, in the family and in the education. The woman's entrance in the job market and the advanced technologies without a doubt, they contemplated and they think directly about the transformations that we can observe in the family, the education and in the contemporary society. Today the parents pass little time with the children and even in the small time that possess to be together home prefer to be in front of the computer, to the they interact amongst themselves. The children's education, a lot of times it is relegated exclusively to the schools or simply left in the nannies' hands. In short, in you finish them decades to the families become smaller, the people passed linking virtually and the parents have time less and less for the children's education and the schools don't get to assume such alone responsibility, so that we should rethink our values, to develop new culture and to look for adaptation forms at the new times that avoid the deterioration of the education of the family and of the society.
Keywords: Education, Family and Society.
O presente artigo tem como objetivo geral discutir algumas das mudanças que podem ser apontadas como fatores desencadeadores de muitas transformações ocorridas na educação, família e sociedade contemporânea. Parte da análise da contribuição da entrada da mulher no mercado de trabalho e das inovações tecnológicas, nas mudanças ocorridas na sociedade, na família e na educação.
De que maneira as transformações ocorridas na sociedade, especialmente a entrada da mulher no mercado de trabalho e dos avanços tecnológicos, refletiram e refletem sobre a família, a educação e a sociedade?
Sem dúvida nossa sociedade começa a se transformar quando as mulheres começam a lutar por seus direitos, deixam o conforto de seus lares e adentram no mercado de trabalho, chegando a assumir, hoje, muitas vezes a responsabilidade de sustentar a família, o que teve por conseqüência principal, o encurtamento do tempo dedicado aos filhos e a família.
Com as mulheres passando um tempo cada vez maior fora de casa se dedicando ao trabalho, a educação dos filhos passou a ser relegada a terceiros como escolas e secretarias do lar, o que sem dúvida tem levado a perda de valores, principalmente familiares. As crianças vão cada vez mais cedo para as chamadas escolinhas, algumas passam a freqüentá-las com apenas alguns meses de vida, ficando lá o dia todo, retornando aos seus lares apenas à noite o que mudou o papel das escolas conferindo-lhes além do dever de ensinar, também o de educar.
Além disso, muitos pais sentindo culpa por passar prolongados períodos longe dos filhos, procuram compensá-los deixando-os fazer tudo que quiserem no curto período de convivência. Tal comportamento, a nosso ver, tem levado as crianças a perder a noção de limites, ausência esta, que é levada para a vida adulta, incorrendo em atitudes negativas como uso de drogas, comportamento sexual inadequado, comportamentos violentos, dentre outros.
É claro que com isto não estamos criticando a entrada da mulher no mercado de trabalho, muito ao contrário, apenas queremos enfatizar que a sociedade como um todo precisa encontrar formas de suprir a ausência da mãe dentro do lar, para que a educação dos filhos não fique apenas por conta de escolinhas e babas até porque, estes não possuem a autoridade necessária para os limites que as crianças necessitam para aprender a respeitar o próximo e principalmente se respeitar mantendo-se longe do mundo das drogas, da prostituição e da violência e dentro desse contexto a participação do pai é fundamental.
Cremos ser necessário uma quebra de paradigmas, pois quando o homem era o único responsável por prover o sustento da família, criou-se a idéia de que a mulher era a única responsável pela educação dos filhos, deixando o pai desprovido de qualquer responsabilidade.
Já vemos algumas pequenas mudanças nesse pensamento marxista, com muitos homens assumindo não apenas seu papel de ‘reprodutor’ mas de progenitor participativo e consciente de seu papel e responsabilidade na educação dos filhos, mas infelizmente, esses casos ainda são minoria, de forma que acreditamos ser necessário uma reeducação da sociedade para que pai e mãe possam se revezar na educação dos filhos dando a estes o carinho e os limites necessários para que os mesmos se tornem cidadãos de bem. É, então, necessário desenvolver nova cultura, onde os homens também se responsabilizem pelos filhos para juntos o casal possa encontrar tempo para educá-lo adequadamente. De acordo com Martins (1997, p.42), a cultura é quem regula a sociedade. Ela o faz oferecendo normas e padrões de comportamento e sancionando os desvios em relação a esse comportamento.
A entrada da mulher no mercado de trabalho refletiu radicalmente na estrutura das famílias em termos de qualidade na educação. As mulheres que antes eram educadas apenas para serem boas donas de casa passaram a estudar mais para terem melhores oportunidades no mercado de trabalho.
Com as mulheres se dedicando um maior tempo aos estudos os casamentos se tornaram cada vez mais tardios, e o tamanhos das famílias ‘encolheu’, pois com menor tempo para se dedicar a família devido a carreira, as mulheres passaram a ter menos filhos e as costumeiras famílias com mais de dez filhos, passaram a se limitar a dois no máximo três, sendo que hoje na maioria das famílias tem-se apenas um filho.
Dentro desse contexto, temos mudanças positivas na sociedade com o aumento da escolaridade das mulheres e a redução da taxa da natalidade, o que pode ser bom para países em desenvolvimento como o Brasil.
Os avanços tecnológicos, especialmente os da última década na área da comunicação, transformaram radicalmente a economia mundial, criando uma espécie de mercado global, onde, de certa forma, as distâncias foram encurtadas e as barreiras comerciais quebradas. Entretanto, tais avanços não refletiram apenas no comportamento econômico, mas também no social, familiar e na educação.
A disseminação da internet transformou radicalmente a maneira das pessoas se relacionarem e se comunicarem.
As crianças passam um tempo cada vez maior em frente ao computador, perdendo quase que por completo o hábito de brincadeiras lúdicas com outras crianças. Isso associado ao fato de muitos serem filhos únicos, está desenvolvendo um novo tipo de adulto com sérias dificuldades de relacionamento e isolado em seu mundo cibernético.
As famílias perdem cada vez mais o hábito de se comunicarem, mesmo dividindo o mesmo espaço dentro de casa, preferem freqüentar as salas de bate papo do que, fazer como as famílias antigas que se reuniam na mesa de jantar e conversavam. A principal conseqüência deste fato tem sido a perda dos valores familiares.
Os pais precisam ficar muito atentos, pois os filhos não precisam mais sair de casa para serem aliciados sexualmente, para entrar em contato com drogas e assim por diante, pois tudo isso pode se dar através da internet.
Há ainda a questão da saúde, de forma que muitas doenças são conseqüências da longa exposição ao computador, como o estresse, a obesidade infantil, pois a maioria das crianças não pratica nenhum exercício, passam o dia todo em frente a jogos, os quais muitas vezes estimulam a violência, comendo sanduíches ao invés de realizarem refeições balanceadas.
No entanto, a disseminação da internet não possui apenas aspectos negativos, ela pode ser muito útil na educação quando utilizada adequadamente sendo uma poderosa ferramenta de realização de pesquisas, de informação de aprendizagem.
Os pais também podem aprender a utilizá-la para se comunicarem com os seus filhos, mantendo com estes um contato direto e ao mesmo tempo protegendo-os dos perigos que a internet pode expô-los.
Quanto à questão do isolamento e das dificuldades de relacionamento, podemos averiguar que internet não isola, mas traz formas diferentes de relacionamentos, pois através da rede se formam comunidades, pessoas fazem amizades, e às vezes ocorre até casamento, de maneira que as pessoas não estão deixando de viver em sociedade, mas descobrindo uma nova forma de se relacionarem entre si.
Em suma, a família, a educação e a sociedade como um todo, não é estática está sempre em contínua transformação, mudanças estas que se dão em função da conjugação de fatores econômicos, tecnológicos, quebra de paradigmas dentre outros.
As mudanças não são apenas boas ou ruins, tudo tem seu lado positivo e negativo, dessa forma o que precisamos é aprender a fazer com que o lado positivo impere para que todas as transformações ocorridas na educação, na família e na sociedade possam resultar em melhorias. Para isso precisamos mudar muitas de nossas maneiras de pensar e agir, principalmente no que tange respeito à educação das crianças e na preservação dos valores morais e familiares para que possamos, então, construirmos uma sociedade justa e melhor para todos.
Referências Bibliográficas
BACZO, Bronislaw. Imaginação Social. Enciclopédia Einaud, V. 5. Porto: Impressa Nacional, Casa da Moeda 1996.
MARTINS, J. de Souza. Fronteira: A Degradação do Outro nos Confins do Humano. São Paulo: Hucitec, 1997.
RUSEN, Jorn. Razão Histórica: Teoria da História - Fundamentos da Ciência Histórica. Brasília. Ed. UNB, 2001.
EDUCAÇÃO, FAMÍLIA E SOCIEDADE
ARTIGO
EDUCAÇÃO FAMÍLIA E SOCIEDADE.
NEILA SANTANA MENDES SILVA
VANESSA RODRIGUES A. OLIVEIRA
Em todos os tipos de família existe a hierarquia de relações entre as pessoas: há os que mandam e os que obedecem. A "família nuclear", tradicional, continua servindo como parâmetro para a escola e isto traz dificuldades para a relação escola-família. Devido às grandes mudanças na sociedade atual, há uma grande reflexão sobre a família e se tem partido da diferenciação entre "família pensada" e "família vivida". A "família pensada" é o modelo de família que a maioria da população almeja ter, mas, a "família vivida" é o modo cotidiano que a família vive, hoje, sua própria realidade. Entretanto, a família deve ser entendida como aquele lugar onde as pessoas buscam seu bem-estar, mesmo que a situação encontrada não seja aquela imposta pelo modelo existente. Deve ser pensada conjuntamente, construída de acordo com a realidade de vida de seus membros, podendo sempre estar se modificando, isto porque, o mundo e as idéias encontram-se sempre em transformação e, para que haja mudança, é essencial que se compreenda como cada membro pensa e vive. Não existe um "modelo pronto" do que "deve" ou "não deve" ser feito, pois, além de ser ineficiente, faz com que a família sinta-se incapaz de encontrar soluções para seus inerentes e peculiares problemas.
Paralelamente, as mudanças também atingiram a escola e, dessa forma, começaram a surgir certos desencontros na relação família-escola. Se antes havia por parte da escola apenas o compromisso de "passar conteúdos", ela passou a ser exigida e convocada a se preocupar com atitudes, valores, sentimentos, que também são "ensinados". Para que possa dar conta de tal empreitada, a priori, ela deve fazer um "contrato" com a comunidade, que necessita ser respeitado por ambas as partes, como é o caso do uso das dependências do espaço físico nos finais de semana. Esta discussão deve ser aberta a todos os membros da escola já que são todos educadores e, portanto, precisam participar das decisões que serão tomadas para que, realmente, ocorra a integração escola-comunidade, via responsabilização pelo espaço público, visando sempre estabelecer uma relação de confiança e respeito mútuo entre a equipe escolar e as famílias. Ao agir dessa forma, ambas, estarão desempenhando um papel que têm em comum: preparar crianças e jovens para inseri-los na sociedade e desempenhar funções que dêem continuidade à vida social, visando a formação do cidadão. Uma escola comprometida passa a ser um "espelho" e uma "nova visão de mundo" para os seres em formação, uma vez que lhes oferece uma rede de interações e de possibilidades para que possam ter direito a uma vida digna e de relações humanas amorosas efetivas. É fundamental observar, porém, que os objetivos educacionais da família são diferentes dos da escola e que as circunstâncias em que os alunos se desenvolvem dependem da classe social a qual pertencem, fator este determinante par que haja maior ou menor envolvimento e participação e assistência em casa das tarefas escolares. É importante registrar que os conflitos escola-família sempre são maiores naquelas que são públicas, especialmente porque os pais não podem escolher o tipo de escola que desejam que seus filhos freqüentem. Quando eles surgem, é essencial que a escola busque parcerias com universidades, serviços de saúde, etc., para dar uma melhor formação tanto aos professores, como aos pais, através de encontros que favoreçam o conhecimento mútuo e desenvolvimento de estratégias educativas comuns a ambas. Deve também incentivar a participação das famílias na escola e esta, ampliar seu envolvimento com a comunidade onde está inserida, não se esquecendo de atualizar suas práticas pedagógicas, voltadas para o comprometimento mútuo para o desenvolvimento de metas e inter-relação entre as tarefas. Tudo isto, precisa ser realizado em regime de parceria, que favoreça a troca de saberes para que a mudança seja contínua, tendo como objetivo uma melhor socialização, o respeito mútuo, confiança e competência, delimitando, claramente o âmbito de atuação de cada uma. Vale ressaltar, porém, que além da aprendizagem, a escola e os professores são responsáveis tanto pelo rendimento do aluno como pelo "reforço necessário", quando este for necessário, uma vez que o fracasso escolar se reproduz na exclusão social. Para tanto, é imprescindível que seja mantida tanto a disciplina como o respeito mútuo entre professores e alunos, entendendo os mestres que quando as atividades planejadas e executadas são monótonas, sem sentido e significado para os aprendizes, é comum que a indisciplina se instale nas salas de aulas. Tem-se percebido que quanto mais autoritária é a escola, maior é o índice de evasão escolar, já que, ao agir desta forma, mata os sonhos de crianças e jovens de "subir na vida" e ocupar um lugar melhor na sociedade. A escola tem uma dimensão ética que nunca deve ser esquecida: carrega consigo a obrigação de conscientizar as famílias das classes economicamente desfavorecidas sobre o processo de exclusão de seus filhos, fazendo uso de uma prática educativa dialógica, crítica e libertadora.
Referencias
BERTRAND, L. A. (org). Cidadania e Educação: rumo a uma prática significativa. Campinas: Papirus, 1999.
BORDIGNON In: FERREIRA, N. S. C. AGUIAR, M. A. S. Gestão da Educação. São Paulo: Cortez, 2000.
BOCK, Ana Mercês Bahia et alii. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 1989.
.BRASIL, Estatuto da criança e do adolescente – ECA. Brasília, Distrito Federal: Senado, 1990.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
PARO, Vitor Henrique. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. [s.l.]: Xamã. 126 p.
Artigo
Atividade Avaliativa
O Ensino Terapêutico da Filosofia na Universidade: A formação de Ignorantes sem culpa.
Será que critérios de avaliação são corretos? O artigo nos fazem refletir sobre os atuais métodos de avaliação adotados nas escolas e universidades. São perguntas que vários professores, moldados em sistemas pedagógicos já ultrapassados, fazem ao defrontarem-se com problemas inerentes ao dia-a-dia de uma sala de aula. Estaremos contribuindo para uma real formação de cidadões conscientes de seu potencial criativo? Ou o modo como as provas são aplicadas e corrigidas apenas contribuem para elevar os alunos tidos como inteligentes e massacrar os que têm alguma dificuldade no aprendizado? Uma avaliação que deve ser expressa por palavras de amor e incentivo e não por grilhões estatísticos que impeçam o aluno de mostrar sua criatividade, mas, para que isso aconteça é necessário que nos professores se apresente como um guia, não como um carrasco. Devemos partir para uma prática onde o aluno perca o medo de errar, de perguntar, de ser, de viver. Uma prática que seja aplicada de modo a incentivar o aluno a vencer as etapas para que no futuro ele seja um bom profissional e nao só mais um no mercado de trabalho alienado.
Mestranda Vanessa R. A. de Oliveira.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Para a escola aproveitar o acesso do aluno à tecnologia
Pesquisadores educacionais dão dicas sobre tecnologias da informação e comunicação
Segundo a pesquisa “Interação com as Tecnologias de Informação e Comunicação na Comunidade Escolar”, realizada entre maio e julho de 2010 pela parceria entre o Instituto Oi Futuro e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro – estudo feito com 32 mil pessoas, englobando diretores, professores e alunos da rede pública da capital fluminense –, 80% dos entrevistados acreditam no potencial das tecnologias da informação e comunicação (as TICs) para melhorar o processo de aprendizagem. Do total de pesquisados, 70% acreditam que o uso desses recursos em sala de aula aumenta o interesse do aluno e 65% avaliam que essas tecnologias mudarão o papel do professor frente aos estudantes. Com mudanças tão rápidas, como a escola e os docentes podem usar esse contexto a favor da educação?
Para o cientista sênior do Instituto de Estudos para Perspectiva Tecnológica (IPTS) da União Europeia, o professor Yves Punie, o uso das TICs no ensino tem se confundido com o mero uso do computador e seus derivados. Na União Europeia, segundo o pesquisador, 38% das pessoas usam a internet para treinamentos e aprendizagem e quase todos os professores concordam que o computador é importante para as instituições de ensino, mas 54% dos docentes são fortemente contra o uso de celulares na aprendizagem, por exemplo. “As crianças são expostas a muitas fontes de informação, em quantidades maiores do que na escola. Muitos professores reclamam que elas não leem, mas não se perguntam quantos e-mails ou mensagens de celulares são lidos durante um dia por seus alunos”, revela.
De acordo com Punie, 90% dos docentes europeus preparam suas aulas com pesquisas na internet. Em sala de aula, no entanto, os recursos mais usados são audiovisuais, com subaproveitamento de conectividade e ferramentas mais atrativas aos alunos, citando como exemplo que apenas 17% dos professores usam jogos digitais. “O grande desafio na União Europeia hoje é desenvolver métodos para engajar todos no uso de todas as tecnologias em benefício da aprendizagem”, afirma Punie.
A ideia é o uso de todas as redes do tipo mainstream, ou seja, de uso corrente na sociedade, dentro de sala de aula e permitir que os alunos, ao terminarem suas formações, usem-nas como ferramentas de aprendizagem. “A escola não desaparece com as tecnologias da informação, é uma questão de papéis que mudaram. As instituições de ensino podem habilitar contatos entre as pessoas e a educação formal está adquirindo um perfil informal, sendo globalizada, inclusive culturalmente. Os professores devem se tornar mentores do processo de aprendizagem em vez de portadores de conhecimento”, acredita.
Novo perfil das escolas
As pesquisas do IPTS apontam que as TICs estão mudando de modo significativo o quê, como, onde e quando as pessoas aprendem. Em função do contexto social, a aprendizagem já teve como finalidade incluir culturalmente as pessoas que passavam pelo ambiente escolar, com a integração social posterior no mercado de trabalho.
“Em 2025, os empregos atuais serão obsoletos e será comum as pessoas mudarem radicalmente o perfil profissional durante a carreira. Hoje a necessidade é de engajamento na aprendizagem com a aceleração do desenvolvimento dos talentos das pessoas. Estamos numa transição para um momento de alta educação [high education], no qual a pessoa terá a necessidade de aprender durante toda a vida”, afirma o pesquisador.
Para Punie, os desafios das instituições de ensino no uso de TICs são identificar os potenciais e os tipos de tecnologias usadas, centrar o ensino individualmente no aluno e promover uma implantação holística, com alteração de formas de liderança, currículos, métodos de avaliação, práticas pedagógicas e a habilitação dos professores para uso das TICs e de meios de comunicação. “A grande dificuldade é que faltam evidências e experiências”, avalia.
Para libertar a criatividade
As tendências no uso das tecnologias da informação e comunicação nas instituições de ensino foram debatidas em maio deste ano, no Fórum Internacional de Tecnologia Educacional, em São Paulo (SP), evento paralelo à feira Interdidática. Nas conferências, o que parece ser um consenso no uso desses recursos é que se devem aproveitar todas as suas possibilidades dentro da escola para que os estudantes “aprendam a aprender” durante todas as suas vivências fora de sala de aula (lifelong learning), em todas as dimensões e espaços (lifewide learning).
Para aulas de exatas, por exemplo, a escola pode criar ambientes de aprendizagem com a tecnologia inserida no dia a dia da escola. Numa experiência apresentada pelo professor da Universidade de Stanford (EUA) Paulo Blikstein, programas gráficos são usados para demonstrar com a mesma exatidão de equações matemáticas o comportamento de gases. “É apenas um dos exemplos de como a tecnologia pode liberar a criatividade e permitir o entendimento de conceitos com recursos que já dispomos. As equações não deixam de ser importantes, mas as representações gráficas também são eficientes”, avalia o educador.
De acordo com Blikstein, o sucesso do uso das TICs está na liberdade para in-ventar com tecnologia no cotidiano escolar, numa operação cognitiva mais complexa e poderosa do que seguir ordens. “Os erros e fracassos, inclusive, devem ser transformados em algo aceito, permitido e usado como aliado no processo de aprendizagem, numa cultura do fracasso produtivo”, acredita Blikstein.
O professor sugere a montagem de laboratórios de uso irrestrito e permanente na escola. Como exemplo, ele cita o projeto Fablab@school, no qual instituições de ensino básico dos Estados Unidos contam com espaços de prototipagem rápida formado por cortador a laser de polímeros, scanner tridimensional e impressoras 3D, coordenados por professores especialmente treinados para a iniciativa. “Num laboratório de engenharia como esse os alunos aprendem física, química, matemática e ainda liberam a criatividade na ação. Não sairão da escola engenheiros, mas terão desenvolvidas as habilidades cognitivas para todas as áreas envolvidas na engenharia”, avalia.
Afiliado a uma perspectiva construtivista, Blikstein acredita que, para a montagem de espaços semelhantes em que as tecnologias são efetivamente apoio ao ensino e à aprendizagem, dois parâmetros básicos devem ser observados. “Em primeiro lugar, deve-se definir o que haverá no laboratório. Particularmente, acredito no uso de hardware e software de código aberto, que não são limitados como os produtos comerciais, não têm um custo alto o suficiente para inibir alunos e professores de usarem com medo de danificá-los e cuja manutenção pode ser feita dentro da própria comunidade que a escola atende. A tecnologia no ensino, para ser eficiente, deve ser mantida sempre em operação”, alerta.
O outro ponto, segundo Blikstein, é escolher precisamente o docente que tomará conta do laboratório. “Deve ser um professor que tenha vontade de inovar em um espaço muito diferente da sala de aula tradicional. Depois que tudo funcionar e de modo eficiente, os docentes mais tradicionais vão querer usar também o espaço, serão convencidos de sua pertinência”, acredita.
Matéria produzida pela revista Profissão Mestre. Para saber mais, acesse o site da Profissão Mestre ou siga no Twitter e Facebook.
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